Posts tagged service management

Freeware, paradigma de sustentabilidade?

Um dos desafios com que me deparo no dia a dia na gestão de serviços de TI é a sustentabilidade dos mesmos. E quando falamos das TI de uma associação sem fins lucrativos como a Solidariedade Imigrante, a palavra sustentabilidade é chave.

Se tivermos em conta o caracter não lucrativo da associação, é fácil entender que todas as iniciativas que são desenvolvidas, devem ter em conta o valor que vão trazer para os associados e o custo das mesmas.

Colaboro com esta associação desde 2001 e tenho representado o papel de gestor da infra-estrutura e serviços de TI. Os objectivos para as TI são, disponibilizar:

  • Internet para associados e colaboradores da associação;
  • Acesso a office, internet e impressoras aos colaboradores;
  • Políticas de segurança que garantam o acesso e integridade dos dados;
  • Recursos para formações de introdução à informática: office e internet;
  • Bases de dados;
  • Ferramentas de design gráfico.

Infelizmente não tem sido fácil atingir estes objectivos, ou pelo menos com a qualidade que seria desejável! E manter estes serviços disponíveis, sem incidentes, 2 meses consecutivos, é uma vitoria da qual não nos podemos orgulhar, mas faz parte do quotidiano.

Mas questões operacionais à parte e tendo claros os objectivos das TI, surge a questão financeira e aquele que aparenta ser o maior desafio, fornecer estes serviços a custo mínimo para a associação. E para este custo devemos contemplar:

  • Hardware: pcs, routers, switchs, impressoras, fotocopiadoras
  • Software: Sistema Operativo, Office, Base de Dados, Antivirus, Photoshop
  • Comunicações: Serviço de voz, dados, sms
  • Recursos: Manutenção de infra-estrutura, instalações, upgrades, etc.

Embora não seja contabilizado como um custo actualmente e uma vez que tirando a iluminação, os equipamentos informáticos são os únicos consumidores de energia da associação, talvez seja importante incluir o custo com a electricidade para estas contas, mas descartando esta questão para outro fórum:

Se para hardware, comunicações, recursos e também para a electricidade estamos dependentes de fornecedores e da sua boa vontade para reduzir o custo, quando chegamos ao software temos à nossa disposição um vasto leque de opções disponibilizadas a custo zero.

Nestes termos, podemos ser levados a olhar para o freeware como uma solução sustentável uma vez que facilmente encontramos software free, com qualidade semelhante ou superior à dos fornecedores tradicionais.

Mas não é só o custo que temos que ter em conta na nossa equação rumo à sustentabilidade, e por exemplo, quando falamos em sistemas operativos e ferramentas de produtividade – área onde o freeware tem muitas cartas para dar – convém ter em conta que para a iniciação à informática é importante dar aos associados ferramentas semelhantes às que vão encontrar no mercado de  trabalho, nomeadamente, WindowsMS Office e consequentemente pensar duas vezes antes de adoptar OpenOffice ou Linux.

Por outro lado, quando falamos de editores de imagem é difícil convencer alguém a optar pelo GIMP quando existe o Photoshop. E antivírus? Alguém realmente confia num software gratuito para garantir a segurança da infra-estrutura?

Correndo o risco de não estar a ter em conta todas aplicações gratuitas de antivírus que existem no mercado, as que tive oportunidade de analisar sugeriam-me uma manutenção manual, que comprometeria a segurança dos dados, levando-nos mais uma vez para o mercado tradicional e com custos associados.

Pelo menos até surgirem soluções como o MS Security Essentials que embora não possa ser encarado como uma solução free, estritamente falando, sai a custo zero para todos os que cumprem o requisito “Your PC must run genuine Windows to install Microsoft Security Essentials.”.

Tendo em conta que fomos agraciados com um generoso apoio da Microsoft, que disponibilizou licenciamento no valor de USD $19,043.00 para sistemas operativos e ferramentas de produtividade, ao abrigo do programa NGO Connection, podemos adoptar esta solução e reduzir nas contas o custo anual de subscrição de actualizações do antivírus.

Com este artigo não pretendo desvalorizar a importância do freeware e software aberto, que muito valor têm trazido para muitas organizações permitindo simultaneamente reduzir os custos, mas sim mostrar a importância de orientar os nossos serviços às necessidades das organizações e de encontrarmos formas de os disponibilizar ao menor custo possível, o que no caso descrito, passa por adoptar uma solução que á partida implicaria custos elevados.

Se não soubermos que custos temos, que valor trazem, e como nos vão ajudar a cumprir os nossos objectivos, não estamos a fazer a melhor gestão dos nossos recursos nem a garantir a sustentabilidade dos nossos serviços.

Advertisements

Leave a comment »